A automação pericial na pré-obra acaba de atingir um novo e decisivo patamar. Com a aplicação de agentes autônomos na auditoria de modelos digitais para a construção civil, o setor ganha uma velocidade antes inimaginável. A AltoQi, desenvolvedora brasileira de softwares voltados para a engenharia, está preparando o lançamento de uma funcionalidade que utiliza inteligência artificial (IA) para realizar a checagem completa de projetos de forma quase instantânea.
A tecnologia, que será embarcada na plataforma Visus a partir de outubro, permite analisar modelos BIM (Building Information Modeling) contendo entre 20 mil e 25 mil elementos estruturais em um tempo recorde: até 30 minutos. Para se ter uma ideia da magnitude dessa inovação, o mesmo processo, quando realizado manualmente por equipes de engenheiros, poderia facilmente se estender por semanas de trabalho meticuloso e exaustivo.
Como a IA Transforma a Auditoria de Projetos
De acordo com Peter Paredes, Business Developer Coordinator da AltoQi e especialista à frente da implementação dos algoritmos, a ferramenta atua de maneira semelhante a uma triagem médica de alta precisão. O sistema é programado para identificar inconsistências, falhas de sobreposição e erros de cálculo que, se não detectados, seriam transferidos diretamente para o canteiro de obras.
- Velocidade Inédita: Redução de até 95% no tempo dedicado à checagem de regras e normas técnicas.
- Prevenção de Retrabalho: A identificação prévia de falhas no modelo digital impede paralisações onerosas durante a fase de execução.
- Análise Massiva: Capacidade de processar dezenas de milhares de elementos arquitetônicos e estruturais simultaneamente.
O Impacto Regulatório e a Lei 14.133/2021
O advento dessa tecnologia ocorre em um momento crucial para o mercado brasileiro. A Lei 14.133/2021, que atualizou o marco de licitações no país, passou a exigir o uso do BIM em contratações públicas. Isso colocou uma pressão imediata sobre construtoras e escritórios de engenharia, que agora precisam garantir que seus projetos estejam em absoluta conformidade não apenas com as exigências contratuais, mas também com as rigorosas normas da ABNT.
Felipe Garcia, Product Marketing da empresa, reforça que a IA não chega para substituir o engenheiro, mas para atuar como um validador técnico de altíssima confiabilidade. Com a plataforma Visus, o profissional passa a ter um assistente capaz de ler e cruzar regras complexas, liberando a equipe para focar na otimização e no design das estruturas, em vez de se perder em auditorias manuais intermináveis.
Embora dados do mercado apontem que setores como arquitetura e engenharia possuam uma grande exposição teórica aos benefícios da inteligência artificial, o uso prático ainda engatinha. A nova solução da AltoQi busca exatamente preencher essa lacuna, democratizando o acesso a uma ferramenta que tem o potencial de acabar com os temidos gargalos de produtividade estruturais da construção civil brasileira.