Com o resultado positivo de 0,3% em dezembro, o volume de serviços no Brasil fechou 2023 com alta de 2,3%, na comparação com 2022. É o terceiro ano consecutivo de crescimento do setor, aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE. 

Em 2021, os serviços registraram alta de 10,9%, enquanto em 2022 foi de 8,3%. Segundo o economista Cesar Bergo, embora mais tímido do que em anos anteriores, o crescimento do setor no ano passado deve ser comemorado. 

“Esse crescimento de 2,3% observado em 2023, embora seja mais modesto que 2021 e 2022, ainda é muito positivo, especialmente se considerarmos o contexto econômico global e os desafios enfrentados devido à pandemia. Essa expansão pode indicar uma recuperação gradual e sustentável do setor, sugerindo estabilidade e uma resiliência da própria economia brasileira”, afirma. 

De acordo com o IBGE, o setor está 11,7% acima do nível observado em fevereiro de 2020, portanto, antes da pandemia, e 1,7% abaixo do ponto mais alto da série histórica – dezembro de 2022.

A última vez que os serviços cresceram por três anos seguidos ocorreu entre 2012 e 2014, quando o salto acumulado chegou a 11,3%. No entanto, a alta entre 2021 e 2023 é mais significativa, uma vez que o avanço foi de 22,9%. 

Rodrigo Lobo, gerente da PMS, elenca os segmentos que mais contribuíram para o desempenho positivo dos serviços no ano passado. “Para 2023, os destaques ficaram com os serviços de informação e comunicação, impulsionados tanto pela parte de telecomunicações como os serviços de tecnologia da informação e, também, com os serviços profissionais administrativos e complementares, com crescimentos mais importantes vindos de serviços de engenharia e da locação de automóveis”, pontua.

Impulsionadas pelo transporte rodoviário de cargas, as atividades de serviços de transportes foram o terceiro que mais impactou positivamente o resultado do setor de serviços em 2021, diz Lobo. 

Efeito positivo na economia

Responsável por cerca de 70% da riqueza produzida no país, o setor de serviços é crucial para o bom desempenho da economia brasileira, lembra Cesar Bergo. Por isso, se o setor vai bem, a economia tende a se beneficiar disso. 

“O setor é importante por várias razões. Entre elas, a geração de emprego. O setor de serviços geralmente é intensivo em mão de obra, o que significa que um crescimento nesse setor pode também resultar em mais oportunidades de emprego. E, como temos observado, o ano de 2023 fechou com o menor nível de desemprego desde 2015. Também, não tenha dúvida, que você impulsionando o consumo, como o setor de serviços acaba oferecendo essa oportunidade, sobretudo no que diz respeito ao comércio varejista, dessa forma você estimula também a economia”, completa. 

Dezembro

Em dezembro, três das cinco principais atividades do setor de serviços avançaram. O destaque foi o crescimento de 3,5% nos serviços prestados às famílias. “Vale destacar que, no mês de dezembro de 23, ela ultrapassa, pela primeira vez, o nível pré -pandemia, cujo marco é fevereiro de 2020. Era a única atividade que, até então, não havia se recuperado das dificuldades do pós – pandemia”, ressalta. Além de terem ultrapassado o nível de fevereiro de 2020, os serviços prestados às famílias se encontram no maior patamar dos últimos sete anos. 

Já o indicador que mede o desempenho do turismo subiu 1,4% em dezembro. O segmento se encontra 3,6% acima do patamar observado antes da pandemia, embora 3,7% abaixo do ponto mais alto da série histórica da PMS. 

O transporte de passageiros, por outro lado, retraiu 1% no último mês do ano. Com isso, o segmento encerrou 2023 com uma queda de 0,7%. Segundo Lobo, o resultado é consequência do aumento dos preços das passagens aéreas.

Fonte: Brasil61