O índice de evolução da produção industrial subiu 2,6 pontos em julho, atingindo 51 pontos e cruzando a linha de 50 pela segunda vez em 2026 — a outra havia sido em março. O resultado, apurado pela Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), indica que a produção cresceu no mês frente a junho, após um longo período de resultados abaixo do nível neutro.
Estoques também crescem pelo mesmo motivo
O avanço da produção veio acompanhado de um sinal de alerta: o índice de evolução dos estoques de produtos finais também subiu 1,7 ponto, chegando a 51 pontos — a primeira vez no ano que o indicador passou de 50, após oito meses consecutivos de queda. O aumento simultâneo de produção e estoques sugere que a retomada ainda não está totalmente sustentada por demanda equivalente, o que pode limitar a velocidade de recuperação nos próximos meses.
Emprego segue em retração
O índice de evolução do número de empregados cresceu 0,4 ponto em julho, mas permanece em 48,6 pontos — abaixo dos 50. Isso significa que o mercado de trabalho na indústria continuou enxugando postos de trabalho no mês, ainda que em ritmo menor do que o observado anteriormente.
Capacidade instalada estagnada
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 70% em julho, patamar um ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período de 2024 e 2025. A estabilidade do indicador reforça que, apesar do avanço da produção, o parque industrial nacional ainda opera com folga relevante — o que reduz a pressão por investimentos em expansão de capacidade no curto prazo.
O ambiente macroeconômico segue adverso: a especialista da CNI Larissa Nocko reitera que juros elevados, custos de produção crescentes e aumento das importações continuam pressionando as intenções de investimento, que registraram o terceiro recuo consecutivo em agosto, chegando ao menor índice do ano (52,6 pontos).