A produção brasileira de aço bruto apresentou crescimento de 0,9% nos dois primeiros meses de 2025, totalizando 5,5 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil. Apesar do desempenho positivo no acumulado do bimestre, o setor enfrenta desafios, como a queda na confiança dos executivos e oscilações mensais nos principais indicadores.
Vendas internas e importações impulsionam mercado
As vendas internas de produtos siderúrgicos registraram aumento de 6,6% no bimestre, alcançando 3,4 milhões de toneladas. Paralelamente, as importações de aço avançaram significativamente, com alta de 25,6%, somando 1 milhão de toneladas. As exportações também contribuíram para o desempenho positivo, com crescimento de 10,7%, totalizando 1,8 milhão de toneladas.
O consumo aparente de produtos de aço, que considera a produção nacional mais as importações menos as exportações, cresceu 12% no período, atingindo 4,3 milhões de toneladas.
Oscilações mensais refletem instabilidade
Na comparação mensal, a produção de aço bruto recuou 3,3% em fevereiro, totalizando 2,7 milhões de toneladas. As vendas internas apresentaram leve alta de 0,4%, com 1,7 milhão de toneladas comercializadas, enquanto as exportações caíram 1,7%, para 892 mil toneladas.
As importações também sofreram retração no mês, com queda de 15%, somando 469 mil toneladas. Como reflexo desses movimentos, o consumo aparente de produtos siderúrgicos recuou 2,4%, totalizando 2,1 milhões de toneladas em fevereiro.
Confiança do setor segue em queda
O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), medido pelo Instituto Aço Brasil, encerrou março em 32,3 pontos, uma redução de 2,4 pontos em relação a fevereiro. Esse foi o quinto recuo consecutivo no indicador, que permanece abaixo da média histórica de 53,0 pontos.
Segundo o Instituto, o resultado reflete a falta de confiança entre os CEOs do setor, impactada por incertezas no cenário econômico e pela volatilidade nas cadeias de suprimentos.
Embora o início do ano tenha registrado crescimento em alguns indicadores, o setor siderúrgico enfrenta desafios estruturais, como a dependência de importações e a queda na confiança empresarial. Para os próximos meses, será essencial monitorar o comportamento do mercado externo e interno, além das políticas públicas voltadas à indústria, para avaliar a sustentabilidade do crescimento observado no bimestre.