Em um movimento contrastante que marcou a indústria brasileira em julho de 2026, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) apontou uma deflação média nas fábricas, porém encobriu um verdadeiro choque de custos no setor de tecnologia e eletrônicos. Enquanto o índice geral caiu, equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos explodiram com uma alta inédita de 11,37% na porta de fábrica.
A Disparada dos Preços na Tecnologia
Foi a maior variação mensal no setor de tecnologia desde o início da série histórica do IBGE, em 2010. Nunca antes o segmento havia registrado inflação na casa dos dois dígitos entre meses consecutivos (o último pico foi 5,63% na pandemia, em abril de 2020).
O que motivou essa escalada foi a pressão internacional. O mercado global de memórias NAND e DRAM passou por fortes reajustes durante as renovações de contrato. Esse repasse cambial e tarifário rapidamente invadiu as esteiras de montagem nacionais, encarecendo a produção de componentes, celulares, placas e computadores pessoais em solo brasileiro. Com esse salto, a tecnologia se tornou a líder absoluta de aumentos tanto no acumulado do ano (17,56%) quanto na janela de 12 meses (21,10%).
O Contraponto do Petróleo e da Indústria Química
Apesar do estrago na cadeia de semicondutores, a média global do IPP – índice que exclui impostos e fretes para medir a variação nas fábricas – conseguiu manter sua trajetória de retração, caindo 0,83% em julho. O resultado sucedeu a baixa de -0,81% verificada em junho, resultando em um acumulado positivo no ano de apenas 3,09%.
Essa “salvação” da média geral foi sustentada, em sua ampla maioria, pelo forte recuo na ponta dos derivados de petróleo e da petroquímica. O refino de petróleo e biocombustíveis foi o maior peso negativo, caindo 5,65% no período, seguido pelos produtos químicos que retraíram 4,49%.
Essa redução marca uma mudança de cenário em relação ao início do ano, quando tensões no Oriente Médio haviam encarecido o mercado energético. Com a diminuição das pressões externas sobre o barril e uma demanda petroquímica global desaquecida, o repasse chegou finalmente ao setor produtivo.
Análise dos Bens de Produção
As assimetrias na variação dos custos deixam claro o atual perfil da produção. Dos 24 setores pesquisados, quase a metade (11) apresentaram deflação no mês de julho, mostrando um quadro mais flexível se comparado a junho, quando apenas seis grupos haviam barateado.
A categoria de bens intermediários, que é a espinha dorsal e representa mais da metade (54,10%) de toda a indústria analisada, foi a principal âncora que puxou os números totais para baixo, ajudada também pelas indústrias extrativas, que somaram -4,38% de variação no mês. Por outro lado, setores como borracha, plásticos e alimentos apresentaram uma dinâmica mista e contida, fechando o quadro de um mês de respiro geral, exceto para as montadoras de aparelhos eletrônicos.