O processo de perda de relevância da manufatura na economia brasileira ganhou novos contornos negativos. Dados compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação registrou queda de 0,2% no ano passado. Este resultado marca a quinta retração do segmento nos últimos sete anos, revertendo a trajetória de recuperação observada em 2024, quando houve um avanço de 3,9%.
A análise da entidade indica que o setor foi sufocado por uma combinação de política monetária restritiva e concorrência externa. Segundo Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, a Taxa Selic elevada inibiu investimentos e encareceu o crédito, comprimindo a demanda por bens industriais. Simultaneamente, houve uma “invasão” de produtos estrangeiros, cujas importações cresceram em ritmo muito superior ao da demanda interna.
Desempenho desigual entre setores
Enquanto a transformação encolheu, o PIB industrial total apresentou uma alta de 1,4%, sustentado exclusivamente pelo desempenho da indústria extrativa, que cresceu 8,6% impulsionada pela produção de petróleo e gás. Outros segmentos, como a construção civil, tiveram desempenho modesto, com avanço de apenas 0,5%.
A taxa de investimento da economia encerrou 2025 em 16,8% do PIB, patamar considerado insuficiente para sustentar um crescimento robusto e inferior aos 20% registrados entre 2010 e 2013. Guerra alerta que, sem medidas imediatas, o desempenho econômico de 2026 tende a ser ainda mais fraco.
Debate sobre jornada de trabalho
Diante desse cenário de fragilidade, a CNI posiciona-se com cautela sobre as discussões referentes à redução da jornada de trabalho. A entidade argumenta que a imposição de novos custos neste momento poderia comprometer ainda mais a saúde financeira das empresas, lembrando que a indústria emprega proporcionalmente mais mão de obra qualificada e está exposta à competição internacional, onde aumentos de custos impactam diretamente a produção e o emprego.