A estratégia de sobrevivência das fábricas brasileiras passou a ter uma coloração cada vez mais verde. Uma pesquisa recente conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 81% do setor industrial tem priorizado a modernização de seus maquinários visando, direta ou indiretamente, o aprimoramento de seus resultados ambientais.
Em paralelo, 77% das empresas consultadas afirmam estar reestruturando suas linhas de produção tradicionais para alcançar metas ecológicas mais ambiciosas. O levantamento destaca que as corporações têm abraçado, em média, meia dúzia de iniciativas sustentáveis simultaneamente, com destaque para a otimização no uso hídrico e energético, além da redução do descarte de rejeitos sólidos.
Mais do que simples trocas
No último ano, cerca de três quartos (74%) do empresariado investiu na aquisição de equipamentos inéditos. Contudo, especialistas do setor ponderam que a verdadeira revolução sustentável exige mais do que apenas a substituição de aparelhos antigos no final da linha produtiva.
Segundo Nelson Clark, executivo da área de engenharia de processos, o foco não deve se restringir ao tratamento de poluentes na reta final do ciclo fabril. A estratégia mais eficaz e econômica reside em estancar ou minimizar a geração de agentes contaminantes logo no início da produção, realizando ajustes finos nas operações primárias.
Retrofit e a sobrevida inteligente
Uma das saídas mais adotadas para unir eficiência operacional com orçamentos restritos é o chamado retrofit. Em vez de demolir instalações antigas ou construir complexos fabris do zero, os gestores optam por adaptar as plantas já existentes, modernizando componentes críticos para atender às regulamentações ambientais mais modernas. Essa prática reduz o impacto de materiais descartados e dá fôlego aos ativos operacionais.
Outro recurso que tem ganhado os holofotes é o uso massivo de lavadores de gases industriais, que agem purificando correntes aéreas antes de devolvê-las ao meio ambiente. Embora seja uma tática crucial, especialistas alertam que a filtragem do ar não substitui a necessidade urgente de descarbonização profunda.
Apesar de o avanço na consciência ambiental estar claro, a indústria nacional ainda esbarra no desafio da digitalização avançada: apenas 5% das empresas que modernizaram parques no ano passado investiram em máquinas interconectadas por processamento de dados autônomos.