O mercado financeiro começou a semana ajustando os cintos e revisando para baixo o humor com a economia brasileira. Segundo a edição mais recente do Boletim Focus, relatório que compila as perspectivas das principais instituições financeiras e é divulgado pelo Banco Central, a expectativa para a inflação subiu, enquanto a aposta no crescimento das riquezas do país recuou pela terceira vez seguida.
As planilhas mostram que a projeção central para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparou de 4,92% para 4,99% no fim de 2026. O pessimismo ganhou força logo após o baque estatístico do IPCA-15 de setembro, que subiu expressivos 0,7% após registrar uma breve queda no mês anterior.
O peso da luz e do freio econômico
A inflação engatou a marcha acelerada acumulando um índice de 4,47% ao longo dos últimos doze meses. Segundo o IBGE, esse repique foi liderado pelo encarecimento da conta de luz após o término dos subsídios e descontos de geração da usina de Itaipu.
O aperto no poder de compra corre lado a lado com a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB). Os economistas reduziram mais uma vez a expectativa de crescimento da economia de 1,88% para mornos 1,86% para este ano. Trata-se de uma contínua desidratação em relação ao que era esperado no mês passado, quando o número figurava na casa dos 1,92%.
Juros travados para estancar os preços
Diante do cenário adverso, as expectativas para a política monetária permanecem rígidas. O mercado entende que a principal vacina contra o salto dos preços continuará sendo o encarecimento do dinheiro, travando os investimentos por meio da Taxa Selic.
Para os especialistas consultados pelo Banco Central, a taxa básica de juros não deverá apresentar novas surpresas e tem fechamento esperado em 13,5% ao ano para este ciclo, permanecendo acima de 10% pelo menos até 2028. Já o cenário cambial sugere certa calmaria entre as corretoras, com a cotação do dólar americano estabilizada nas previsões de fechar o ano estacionado na casa de R$ 5,20.