O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos projeta faturamento de R$ 52,9 bilhões em 2026, um crescimento de 7% em relação aos R$ 49,4 bilhões registrados no ano passado. Nos últimos cinco anos, o setor vem apresentando avanço médio de 10% ao ano, consolidando-se como peça fundamental na engrenagem da infraestrutura e da construção civil no país.
Rental Market Report traça panorama inédito do setor
Os dados constam no Rental Market Report, estudo elaborado pela consultoria KPMG a pedido da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc), com apoio da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema).
“O estudo mostra que o mercado de rental deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma estratégia. Ao optar pela locação, as empresas não precisam investir na aquisição de equipamentos, liberando capital para áreas estratégicas e reduzindo a complexidade ao transferir a responsabilidade por serviços como manutenção e gestão de frotas”, afirmou Paulo Esteves, presidente da Analoc.
Setor representa 0,4% do PIB e supera proporção de mercados maduros
O rental responde por 0,4% do Produto Interno Bruto brasileiro, percentual significativo para um segmento ainda em expansão. A título de comparação, mercados mais maduros como os da Europa e dos Estados Unidos representam cerca de 0,15% e 0,26% do PIB de suas respectivas economias.
Para Afonso Mamede, presidente da Sobratema, o setor de locação tem sido fundamental para atender às demandas de obras de infraestrutura e de outros segmentos com eficiência, produtividade e previsibilidade de custos. “O setor figura entre os maiores compradores de máquinas da linha amarela no país, ressaltando sua capacidade de oferecer ao mercado a mecanização necessária para construir as estruturas demandadas pela sociedade”, destacou.
Sudeste concentra 60% do mercado; Nordeste responde por 15%
O levantamento revela que a região Sudeste concentra 60% do mercado de locação, seguida pelo Nordeste (15%), Sul (13%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%). São 50 mil empresas atuantes no setor, que emprega diretamente 200 mil funcionários e apresenta uma penetração de 40% na relação entre locação e propriedade de equipamentos.
“Temos um grande potencial de crescimento, pois ainda existem regiões com baixa penetração. À medida que ampliamos nossa organização e entregamos ainda mais produtividade, disponibilidade e segurança aos clientes, certamente haverá uma expansão ainda maior”, avaliou Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema e diretor da Analoc.
Mercado pulverizado atende diferentes escalas de demanda
O setor se caracteriza pela pulverização, com pequenas empresas atendendo mercados regionais, companhias de médio porte voltadas a obras maiores em todo o território nacional e grandes empresas estruturadas para atender a todo tipo de demanda.
Segundo Daniel, a confiança no mercado veio sobretudo com a crescente disponibilidade de equipamentos, os investimentos das empresas e a entrada do mercado financeiro, que conferiu maior relevância ao setor e ampliou sua capacidade de atender à demanda.
Juros altos e escassez de mão de obra desafiam o segmento
Apesar das perspectivas positivas, o setor enfrenta desafios relevantes. A alta taxa de juros pressiona um segmento intensivo em capital e com elevados custos operacionais. As empresas dependem de fluxo de caixa consistente, cuja restrição limita também a contratação de mão de obra especializada — outro gargalo apontado pelo mercado.
“Trata-se de um panorama de mercado que reforça a relevância do rental para o país e sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social”, concluiu Daniel sobre o estudo.