A carga tributária brasileira atingiu o patamar histórico de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto deste ano, conforme dados revisados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional. O número acendeu um alerta durante a Convenção Secovi-SP de 2026, realizada nesta quarta-feira (26), reunindo nomes do mercado imobiliário e da economia para discutir os obstáculos ao crescimento do setor.
Para o economista e ex-presidente do Banco do Brics, Marcos Troyjo, o contraste com as políticas adotadas pelos Estados Unidos é preocupante. Enquanto o governo americano avança em um processo de desregulamentação, desburocratização e corte de impostos — com a carga tributária em queda em relação ao PIB —, o Brasil caminha na direção contrária. “A tendência de fechamento do mercado chinês pode direcionar capital para outros países, e o Brasil tem potencial para atrair esses recursos. Mas a questão fiscal e a burocracia podem desviar esse fluxo para locais mais abertos a novos investidores”, avaliou Troyjo.
O Brasil ocupa atualmente a segunda posição entre os países com maior juro real do mundo. Segundo ranking elaborado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence referente a agosto, a taxa real brasileira chegou a 9,33% ao ano após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O único país à frente é a Rússia, com 9,67%.
O presidente da Secovi-SP, Jorge Cury, foi direto ao avaliar o efeito desse cenário sobre o mercado. “O patamar sufoca a capacidade de investimento do setor produtivo e restringe drasticamente o acesso das famílias ao crédito imobiliário de longo prazo”, afirmou, em referência ao nível atual de juros.
Apesar de a Selic ter recuado para 14% ao ano em seu ciclo mais recente de cortes, o ritmo de queda ainda não satisfaz o setor produtivo. Cury defendeu que a responsabilidade fiscal é condição indispensável para que as reduções sejam mais consistentes e sustentadas. Na avaliação do presidente da Secovi-SP, o ambiente de negócios depende também de segurança jurídica — e nesse ponto, a reforma tributária em curso preocupa. “A reforma tributária como está é inaplicável”, sentenciou.