O campo brasileiro está dando um novo passo rumo à autossuficiência energética nas operações pesadas. A fabricante Grunner acaba de anunciar um aporte de R$ 19,5 milhões no desenvolvimento de uma nova linha de maquinário agrícola com propulsão movida a etanol e biometano, consolidando o movimento de descarbonização do setor.
Os recursos foram distribuídos de forma estratégica para viabilizar um produto com forte viés tecnológico: enquanto R$ 15,5 milhões foram aportados para a engenharia dos novos propulsores ecológicos, o restante foi alocado juntamente a grandes montadoras para desenvolver uma nova plataforma bruta e moderna.
Do campo para o próprio campo
Os veículos lançados já estão disponíveis comercialmente e foram calibrados para enfrentar a poeira e o estresse mecânico no transbordo de cana, na aplicação de adubos e na distribuição de insumos sólidos nas lavouras.
A vantagem de abandonar o tradicional motor a óleo diesel vai muito além da pauta ecológica. Para as grandes usinas que já operam as caldeiras produzindo etanol ou extraindo biometano a partir dos resíduos da cana, a tecnologia permite que elas utilizem o combustível “de casa” para abastecer a própria frota pesada. Com isso, os empresários do campo ganham imunidade contra as flutuações e os altos custos do diesel no mercado externo.
Plataforma reformulada para o agronegócio
Além da queima mais limpa, a companhia também abandonou antigas adaptações estruturais. Antes da mudança, as máquinas utilizavam chassis rodoviários que recebiam modificações para a lavoura. Agora, a nova arquitetura nasce desenhada essencialmente para o tráfego fora de estrada, com suspensão e eixos voltados à carga máxima da colheita, prometendo elevar drasticamente a disponibilidade do equipamento e reduzir os períodos e custos com a manutenção no meio da safra.
A transição ambiental também beneficiará os equipamentos antigos. Segundo a marca, a engenharia local está pronta para converter e adaptar os modelos a diesel que já estão em plena operação, somando a solução renovável à frota de milhares de unidades que já circulam pelos canteiros produtivos do Brasil.