O uso de drones nas lavouras brasileiras deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta consolidada de eficiência no campo. Dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) apontam que, no início do ano passado, o Brasil já contava com cerca de 30 mil drones agrícolas, somando equipamentos em operação e em estoque.
A evolução foi rápida e exponencial. Até 2019, antes da entrada oficial da chinesa DJI no país, o número de aeronaves não passava de centenas. No início da década, o volume girava em torno de 3 mil unidades. O grande salto ocorreu a partir de 2022, impulsionado pela flexibilização das normas de registro pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que simplificou a regularização de equipamentos de médio porte.
Claudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Sindag, avalia que o número real pode ser ainda maior, visto que a tecnologia atrai novas gerações e entrega produtividade comprovada. Superada a fase de experimentação, o setor entra agora em um estágio de maturidade, onde o foco se desloca da simples venda para a garantia de suporte técnico e reposição de peças.
Expansão da líder de mercado
A DJI, maior fabricante mundial do segmento, elegeu o Brasil como seu segundo maior mercado, atrás apenas da China. Stefan Wang, diretor comercial da DJI Agriculture no país, revelou ao AgFeed que a meta da companhia é ambiciosa: saltar dos atuais 20 mil equipamentos da marca para 200 mil ao longo da próxima década.
Para sustentar esse crescimento, a empresa planeja expandir sua rede de atendimento. Atualmente com 400 centros de serviços autorizados, a DJI pretende chegar a 600 unidades nos próximos anos. A estratégia é garantir capilaridade em todos os estados, permitindo que o produtor encontre assistência técnica a no máximo uma hora de deslocamento.
Montadoras tradicionais entram na disputa
O avanço dos drones não passou despercebido pelas grandes fabricantes de máquinas agrícolas. Empresas como Jacto e Case IH (do grupo CNH Industrial) passaram a incorporar esses equipamentos em seus portfólios, apostando no relacionamento consolidado e na robustez de suas redes de concessionárias como diferencial competitivo.
A Jacto ingressou no segmento em 2024, revendendo modelos da DJI. Inicialmente focada em produtores de grãos de São Paulo e Paraná com os modelos T50, T25P e Mavic 3M, a empresa ampliou a oferta no fim de 2025 com o modelo D100, que possui tanque de 100 litros. Sergio Silveira, coordenador de vendas da linha, destaca a logística rápida e a assistência técnica das “Revendas Master” como trunfos para oferecer tranquilidade ao agricultor.
Já a Case IH firmou parceria com a chinesa XAG, iniciando a comercialização na Agrishow 2025. As entregas começaram em novembro do ano passado. Rudney Neves, gerente de Novos Negócios da CNH para América Latina, afirma que a receptividade superou as expectativas. A proposta da montadora é equiparar o pós-venda do drone ao de grandes máquinas, como tratores e pulverizadores, utilizando sua rede de 190 lojas distribuídas em 26 grupos econômicos.
Democratização e Profissionalização
A tecnologia também tem rompido barreiras de escala. Segundo o Sindag, o uso de drones está chegando à agricultura familiar e a comunidades quilombolas, como registrado no Espírito Santo, permitindo que pequenos produtores ganhem competitividade.
Paralelamente, a exigência por qualificação técnica aumenta. Desde 2021, o Ministério da Agricultura obriga operadores de drones de pulverização a realizarem o Curso de Aplicador Aeroagrícola Remoto (CAAR). Apenas a DJI já treinou mais de 20 mil pilotos no Brasil, reforçando a capacitação como um pilar essencial para a segurança e eficiência das operações.
Fonte: Redação