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Fortaleza se destacou como o município líder no Nordeste em número de lançamentos residenciais nos segmentos de luxo e super luxo. No total, foram 698 novas unidades lançadas recentemente, o que representa um volume 53,7% superior ao da segunda colocada do ranking regional, Recife, que contabilizou 454 unidades no mesmo período.

Os dados foram revelados por meio do levantamento “Mercado Imobiliário da Região Nordeste”, referente ao último trimestre de 2025 e elaborado pela Brain Inteligência Estratégica. Para a classificação do estudo, os nichos de luxo e super luxo englobam exclusivamente unidades avaliadas acima de R$ 2.000.001.

De acordo com o mapeamento e a análise divulgada, o Ceará também centralizou mais de 80% da oferta final nordestina das chamadas unidades “super luxo” (imóveis que superam a marca de R$ 4 milhões). Ao longo do ano passado, o estado totalizou 331 disponibilidades nesse concorrido segmento, consolidando-se no primeiro lugar isolado da região, que reuniu uma oferta geral de 407 unidades. Em segundo lugar ficou a Bahia, registrando apenas 30 unidades super luxo, expressivos 91% a menos que o volume cearense.

Por que a capital cearense lidera o ranking?

Na visão de Guilherme Werner, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, o forte protagonismo do mercado de imóveis fortalezense dentro da categoria construtiva de altíssimo padrão decorre de múltiplos fatores socioeconômicos. “A região possui um histórico de diversos players que operam no setor, contando com um arranjo híbrido entre incorporação padrão e construções a preço de custo”, explica.

Werner também destaca que Fortaleza ostenta hoje a maior economia do Nordeste e tem uma população superior à de capitais como Salvador. “Isso gera um acúmulo financeiro cada vez mais expressivo, favorecendo a melhor renda média e a maior concentração de famílias abastadas entre as capitais nordestinas”. Com isso, a cidade se equipara a outros centros de ponta do Brasil central e meridional, como Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, que partilham de métricas análogas de sucesso.

O professor universitário do departamento de Geografia da UFC, Alexandre Pereira, acrescenta que um diferencial substancial rumo a essa explosão setorial reside na flexibilidade legal das leis urbanas cearenses para empreendimentos super altos (superprédios), concentrados estrategicamente na orla costeira.

“Existia, segundo especialistas, um vácuo em que Fortaleza tinha forte demanda e baixa disponibilidade desse perfil de moradia. As construtoras logo vislumbraram as possibilidades de atender a esse apelo. Por consequência, a prefeitura vem lidando com dezenas de solicitações para elevar obras imponentes e arranha-céus, concentrando-se visivelmente nos polos como Meireles, Mucuripe e a extensa malha litorânea adjacente à Aldeota”, aponta o analista geográfico.

Mesmo sendo líder no segmento, o metro quadrado não é o mais caro

Apesar de figurar no topo do mercado em volumes absolutos, a análise detalha que o valor médio do metro quadrado voltado à verticalização residencial em Fortaleza permanece bastante atrativo na escala regional. O custo por m² de alto padrão (estimado em R$ 11.362) é o quarto mais alto entre as capitais da região nordestina, posicionando-se meros 3,2% acima do índice regional de R$ 11.004.

Atualmente, as capitais que encabeçam a tabela dos metros quadrados mais onerosos no Nordeste são: Maceió (R$ 13.662), João Pessoa (R$ 12.255) e Salvador (R$ 11.756).

A discrepância benéfica de valores locais é parcialmente impulsionada pela larga produção baseada em modalidades barateadoras, incluindo imóveis operados sob custo associativo rígido – os quais Werner relembra terem tradição na construção fortalezense. Paralelo a isso, a cidade detém expressivo lançamento macro de moradias das faixas econômicas e financiamentos federais, como o Minha Casa Minha Vida. Durante 2025, o ranking oficial da região registrou 5.575 novas unidades acessíveis no Ceará, ficando dezenas de pontos percentuais acima das 3.597 unidades estipuladas por Recife.

A concentração espacial das construções de alto valor

Por fim, ao georreferenciar o luxo e suas segmentações secundárias, o mapa de calor estritamente confeccionado pelos consultores salienta a localização costeira em bloco. Os blocos mais sofisticados da cidade, listados na fração excedente a R$ 16.001 (por m²), estão situados perfeitamente entre Praia de Iracema e áreas adjacentes como Cocó, Varjota, Papicu e proximidades. Já a segunda subdivisão de luxo — cotada de R$ 12.001 a R$ 16.000 — transborda gradativamente ao interior urbano, atingindo os perímetros do Bairro de Fátima e do Engenheiro Luciano Cavalcante. Na ponta diametral oposta, as faixas subsidiadas e acessíveis encontram aderência geográfica distantes da orla, em regiões periféricas consolidadas a exemplo de Barra do Ceará, Messejana, Mondubim e arredores residenciais médios e operários.

Fonte: Construa Negócios