A penetração de produtos estrangeiros no mercado brasileiro registrou nova marca histórica ao longo do último ano. O estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que o consumo de bens importados alcançou 28,3% no mercado nacional, representando um crescimento de 1,6 ponto percentual em relação ao ciclo anterior e estabelecendo o maior patamar de toda a série histórica iniciada em 2003.
O avanço das compras externas decorre de uma conjuntura combinada entre a estabilidade na produção da indústria de transformação doméstica e a valorização cambial do real, que conferiu competitividade adicional aos fornecedores estrangeiros. Entre os parceiros internacionais, a China ampliou sua presença nas gôndolas e fábricas brasileiras, respondendo pelo recorde de 10,3% do consumo aparente nacional, com destaque para equipamentos eletrônicos, insumos químicos e tecidos.
Insumos externos impulsionam o consumo de bens importados nas fábricas
O aquecimento não se limitou aos bens finais voltados ao consumidor comum. A proporção de matérias-primas e componentes importados absorvidos pelas linhas de montagem brasileiras atingiu o ápice de 25,8%, consolidando o segundo ano consecutivo de marcas inéditas. O consumo fabril de insumos internacionais expandiu 4,6% no período, contrastando fortemente com o crescimento modesto de apenas 0,4% registrado na demanda por insumos nacionais.
Apesar dessa dependência crescente da cadeia externa de suprimentos, o coeficiente de exportações líquidas da indústria de transformação manteve-se resiliente e positivo em 9,6%. Na prática, isso demonstra que as receitas geradas pelas exportações fabris brasileiras ainda superam as despesas desembolsadas na aquisição de matérias-primas estrangeiras.
Exportação industrial avança e diversifica destinos comerciais
No sentido inverso do comércio exterior, a parcela da fabricação brasileira destinada aos mercados externos também reagiu positivamente. O coeficiente de exportação da indústria avançou de 18,9% para 20%, impulsionado por um crescimento de 5,9% no volume financeiro embarcado.
Os Estados Unidos preservaram a liderança como o principal destino dos manufaturados nacionais, absorvendo 3,3% da produção, seguidos por União Europeia (2,5%) e China (2,4%). A Argentina recuperou a quarta colocação no ranking global ao elevar suas compras de veículos automotores e autopeças brasileiras, demonstrando a importância da integração regional no Cone Sul.