A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou de 1,8% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A expectativa para a indústria também foi elevada, de 1,1% para 1,6%. Os números constam do Informe Conjuntural do 1º Trimestre, divulgado nesta sexta-feira (17).
As estimativas para serviços e agropecuária também foram revisadas para cima: de 1,9% para 2,1% e de 0% para 1,1%, respectivamente. “Os ajustes se devem a três fatores: o desempenho mais positivo da indústria extrativa nos primeiros meses, puxado por petróleo e minério de ferro; a contínua revisão da safra; e um melhor desempenho do setor de serviços”, explicou Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI.
Crescimento desequilibrado preocupa
Apesar dos números mais favoráveis, a CNI alerta para a qualidade do crescimento. O consumo das famílias deve subir 2% em 2026 — alta de 0,7 ponto percentual frente ao ritmo de 2025 —, impulsionado pelo estímulo fiscal, ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e crescimento da massa salarial.
Os investimentos, porém, devem avançar apenas 0,6%, contra 2,9% no ano anterior, refletindo o impacto dos juros elevados e o endividamento das empresas. “É o tipo de crescimento que não se sustenta. Se não tivermos aumento dos investimentos que gere uma oferta maior no futuro, o ritmo de expansão da economia será comprometido”, alertou Telles.
Indústria extrativa puxa o setor
Assim como em 2025, a indústria extrativa deve liderar o crescimento industrial em 2026. Menos sensível aos juros, o segmento se beneficia da elevação do preço do barril de petróleo em razão do conflito no Oriente Médio, o que levou a CNI a revisar a projeção de alta de 1,1% para 7,8%.
Já a indústria de transformação enfrenta cenário adverso: custos financeiros elevados, queda da demanda por bens industriais, alta das importações, encarecimento da mão de obra e aumento da carga tributária. A projeção de crescimento foi reduzida de 0,5% para 0,3%.
A construção civil, embora impulsionada pelo recorde de lançamentos residenciais no fim de 2025 e por políticas de estímulo ao crédito habitacional, teve a previsão de alta cortada de 2,5% para 1,3%, penalizada pelos juros ainda elevados.
Juros, emprego e contas públicas
A CNI projeta que a taxa Selic encerre 2026 em 12,75%, acima da estimativa anterior de 12%. As concessões de crédito devem crescer 2,2%, abaixo dos 3,2% de 2025. No mercado de trabalho, a expectativa é de alta de 1% na população ocupada, com taxa de desemprego caindo a 5,2% ao fim do ano.
As despesas federais devem crescer 4,4% acima da inflação, com o governo federal encerrando o ano com déficit de R$ 61,3 bilhões (0,5% do PIB). O endividamento público deve saltar para 82,2% do PIB, ante 78,6% em 2025.
Balança comercial positiva
A alta nos preços das commodities, a melhora do acesso ao mercado norte-americano e a recuperação da demanda argentina devem elevar as exportações em 1,1%, para US$ 354,3 bilhões. As importações, por outro lado, devem cair 3,2%, totalizando US$ 281,5 bilhões, o que resultaria em saldo positivo de US$ 72,8 bilhões na balança comercial.