A economia do Ceará em 2026 tem dois lados. De um, renda, consumo e exportações em alta; de outro, indústria e serviços em retração. O retrato está na segunda edição do Boletim Trimestral do Observatório da Indústria Ceará, que mantém a projeção de crescimento de 2,7% para o PIB estadual no ano.
O lado que avança
O mercado de trabalho puxa a atividade. O rendimento médio real chegou a R$ 2.636, a taxa de formalização alcançou 51,3% e o estado passou de 1,1 milhão de empregados com carteira assinada no setor privado. A massa de rendimento real cresceu 11,4% sobre o mesmo período de 2025.
Outros números positivos:
- volume de vendas no varejo: +4%;
- saldo real das operações de crédito: +10,1%;
- exportações até agosto: US$ 1,6 bilhão, alta de 8,2% em um ano;
- déficit da balança comercial estadual: queda de 32,4%;
- Construção Civil: 7.163 vagas formais abertas até agosto;
- Produtos de Metal: produção física 23,5% maior até julho.
O lado que recua
A produção física da indústria cearense acumulou queda de 3,2% até julho, e o faturamento real da indústria de transformação caiu 15,9% no primeiro semestre. O volume de serviços recuou 5,1% até junho. Segundo o boletim, juros reais elevados e incertezas externas estão entre as causas.
No emprego, Comércio e Agropecuária tiveram saldo negativo no acumulado até agosto.
Renda ampara o consumo, com ressalvas
O documento aponta o mercado de trabalho como um dos principais vetores da atividade, já que a renda maior favorece o consumo das famílias. A continuidade desse movimento, porém, pode ser limitada por juros reais altos e pela inadimplência. Por isso, as condições de crédito seguem monitoradas pelo setor produtivo.
Expectativas para o segundo semestre
O boletim também reúne as expectativas dos industriais sobre demanda, exportações, compra de matérias-primas e contratações, além de acompanhar indicadores de inflação, juros, consumo e cenário internacional.