A confluência entre geração abundante de energia renovável e posição geográfica estratégica está acelerando a atração de data centers no Ceará. O estado abriga atualmente as obras de implantação do maior complexo de processamento de dados do Brasil e soma mais de dez projetos de hiperescala em desenvolvimento, concentrados sobretudo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. O avanço desses investimentos foi debatido por lideranças internacionais do setor durante a conferência Atlantic Convergence, em Lisboa.

Vantagens competitivas: cabos submarinos e energia limpa

O principal pilar da atratividade cearense é a infraestrutura de telecomunicações de Fortaleza, considerada o segundo maior ponto de amarração de cabos submarinos de fibra óptica do mundo. Essa malha garante tráfego de dados ultrarrápido com a América do Norte, Europa e África, fator determinante para corporações multinacionais de computação em nuvem e inteligência artificial.

Soma-se a isso a matriz elétrica estadual fortemente descarbonizada, impulsionada por parques eólicos e solares fotovoltaicos, além da infraestrutura aduaneira e fiscal proporcionada pela Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. A garantia de suprimento elétrico contínuo e sustentável atende às exigências de compromissos ESG dos grandes operadores globais de tecnologia.

Computação de borda e expansão de infraestrutura local

Paralelamente às instalações de grande escala, especialistas apontam que o Ceará reúne condições ideais para liderar o segmento de data centers periféricos, conhecidos no setor como edge data centers. Projetadas para operar mais próximas dos usuários finais e indústrias, essas estruturas descentralizadas reduzem a latência em aplicações críticas como automação predial, telemedicina, logística portuária e redes urbanas inteligentes.

A maturação desse ecossistema digital atrai também instituições de fomento internacional. O Banco Mundial mantém negociações ativas com a administração estadual para apoiar projetos estruturantes de tecnologia, apoiando-se no histórico de investimentos do Ceará em cinturões digitais de fibra óptica que interligam municípios do interior à capital.

Grandes operadoras de infraestrutura de conectividade, como o grupo DE-CIX e holdings de telecomunicações nacionais, já mapeiam a expansão de seus pontos de troca de tráfego para Fortaleza. A estratégia visa descentralizar o processamento de dados tradicionalmente ancorado no eixo Rio-São Paulo, consolidando a região Nordeste como um hub computacional autônomo e de alta densidade técnica.

Fonte: Construa Negócios