Sete em cada dez negócios brasileiros de infraestrutura e do setor imobiliário (70%) ainda se enquadram nos estágios “tradicional” ou “iniciante” no uso de novas tecnologias, como big data na construção civil e inteligência artificial. O dado vem da Pesquisa Nacional de Maturidade Digital de Incorporadoras e Construtoras de 2025, do BIM Fórum Brasil.
O que é big data numa obra
O conceito reúne o grande volume de informações gerado ao longo de uma obra: contratos, orçamentos, dados de fornecedores, cronogramas e outros registros. A meta é concentrá-los em um único repositório para gerar inteligência. O ponto central não é coletar mais, e sim garantir que os dados estejam estruturados e possam apoiar decisões que afetam o negócio e os clientes.
Quando a empresa evolui nesse caminho, passa a antecipar problemas em vez de apenas reagir a eles.
Dados espalhados travam o ganho
Informações fragmentadas impedem o gestor de enxergar a situação completa de um projeto ou da própria empresa. Muita gente associa big data a algoritmos sofisticados, mas o setor já tem dados de sobra nos projetos. O obstáculo está em fazer as tecnologias contratadas funcionarem em conjunto.
No cenário ideal, o que os dispositivos coletam em campo é atualizado em tempo integral nos sistemas, mostrando o andamento real das obras. Planilhas e sistemas isolados são, muitas vezes, a barreira entre a construtora e a maturidade digital. Um caminho é centralizar tudo numa ferramenta única, de preferência voltada ao setor, como um ERP para construção civil.
Onde os dados são aplicados
- Simulação de cenários com apoio do BIM;
- Otimização de custos e de materiais;
- Cruzamento de dados entre áreas, para melhorar orçamentos e cronogramas;
- Monitoramento de obras com sensores, internet das coisas e IA;
- Análise atualizada de indicadores financeiros e comerciais.
A prioridade depende do estágio de cada empresa. Os benefícios incluem menos retrabalho, controle mais preciso de desvios de custo e prazo e melhores projetos, com mais segurança para investidores e diretoria na hora de decidir novos empreendimentos.
Começar por uma base única
Obras, financeiro, suprimentos, qualidade e RH precisam operar de forma conjunta para gerar valor perceptível. Entre os resultados esperados estão o cumprimento de prazo e orçamento, a redução de custos com melhor compra de materiais e menos atrasos, e a garantia de qualidade nas entregas, que reforça a reputação da empresa com clientes e fornecedores.
Uma solução com inteligência de negócios nativa, capaz de acompanhar o empreendimento do estudo de viabilidade ao pós-venda, amplia a organização do trabalho. Num país como o Brasil, usar dados com critério tende a se tornar diferencial competitivo.
Tecnologia depende de processo e de gente
Os ganhos, porém, não vêm apenas de software. Melhorias podem exigir investimento em tecnologias específicas, novos processos e capacitação de pessoas, e dependem de todos os envolvidos, dos operários no canteiro aos gestores e analistas. São resultados percebidos tanto por quem trabalha na empresa quanto pelos clientes.