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O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos encerra o primeiro trimestre de 2026 em um cenário de cautela combinada com transformação estrutural. Os juros elevados, as incertezas típicas de ano eleitoral e uma economia em ritmo mais moderado coexistem com uma tendência que se fortalece: cada vez mais empresas optam por alugar equipamentos em vez de comprá-los.

É nesse contexto que a ANALOC Rental Show 2026, programada para os dias 6 a 8 de julho no Expo Center Norte, em São Paulo, se posiciona como um dos principais eventos do setor no país. A feira reunirá fórum de palestras, debates técnicos, ambiente de networking qualificado e espaço para discussões sobre gestão, crédito, tecnologia e políticas setoriais.

Organizada pela Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (ANALOC), em parceria com o Ecossistema LocadoresBR, a feira conta com apoio de entidades como Sobratema, diversos Sindileqs estaduais, Abelme, Abralec-DF, Abrasfe, Alec, Analoc Sul, Apelmat, Selemat e M&T Expo. Juntas, essas organizações representam um setor com aproximadamente 50 mil empresas ativas no Brasil e faturamento anual estimado em R$ 70 bilhões.

Cautela estratégica diante dos juros elevados

Para Reynaldo Fraiha, diretor da ANALOC Rental Show 2026, o momento exige atenção redobrada dos empresários. “Existe uma preocupação significativa com fatores centrais. O primeiro são as taxas de juros elevadas. O segundo é a incerteza característica de ano eleitoral”, destaca.

De acordo com Fraiha, o cenário atual demanda prudência, uma vez que custos financeiros que podem alcançar entre 18% e 20% ao ano exigem que o retorno sobre os investimentos supere um patamar elevado para justificar a expansão das frotas de locação.

Ainda assim, o mercado mantém sua atividade, impulsionado por uma oferta abundante de equipamentos e linhas de crédito atrativas, especialmente provenientes de fabricantes asiáticos. Isso indica que, mesmo diante das adversidades econômicas, a locação preserva sua trajetória de crescimento no Brasil.

“A locação de equipamentos é uma tendência mundial, e existe hoje uma percepção muito clara de que, para o usuário final, faz mais sentido alugar do que comprar. O custo de propriedade é alto e o capital pode ser direcionado de forma mais eficiente para o próprio negócio”, reforça Fraiha.

Locadoras dominam vendas de máquinas

Um dos indicadores mais expressivos dessa transformação está na origem das vendas de equipamentos. No segmento de plataformas aéreas, entre 90% e 95% das unidades comercializadas já têm locadoras como destino final. Na linha amarela, historicamente dominada por usuários finais, a participação das empresas de locação se aproxima de 30% das vendas, com índice em crescimento contínuo.

“Ou seja, cada vez mais equipamentos vendidos vão diretamente para locadoras e não para usuários finais”, resume o diretor.

Agronegócio desponta como fronteira de expansão

Entre os segmentos com maior potencial de crescimento em 2026, o agronegócio surge como uma fronteira promissora. “O agro sempre apresenta grande potencial, especialmente porque ainda é um mercado pouco explorado pela locação, mas que vem crescendo de forma consistente”, afirma Fraiha.

A mineração segue em patamar estável, sustentada pela operação contínua das grandes mineradoras. Na construção civil, programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida e obras de infraestrutura em fase de conclusão ajudam a manter um nível relevante de demanda por equipamentos.

A interiorização da locação também é percebida como um movimento natural do mercado. “Primeiro os grandes centros urbanos, depois as cidades satélites e, gradualmente, o interior do país. É uma tendência que se confirma, embora ainda mereça estudos mais aprofundados”, observa Fraiha.

Eletrificação avança de forma gradual

Outro tema que ganha espaço nas discussões do setor é a eletrificação dos equipamentos. “Há uma tendência clara de introdução de máquinas elétricas, porém ainda não em larga escala. O principal desafio permanece sendo a infraestrutura de carregamento”, explica o diretor. Enquanto a Europa avança rapidamente nesse campo, o Brasil ainda se encontra em estágio inicial, especialmente no segmento de linha amarela.

Gestão, pessoas e ambiente de negócios são os desafios centrais

Para Leônidas Ferreira, conhecido como Leo Sisloc, diretor da Sisloc Softwares e presidente do Ecossistema LocadoresBR, o setor de locação enfrenta quatro desafios fundamentais: ambiente de negócios, gestão, juros e pessoas.

“A mão de obra qualificada é um ponto crítico. É difícil formar profissionais e, quando se qualificam, muitas vezes são atraídos por empresas concorrentes. Isso exige investimento constante em capacitação”, pontua.

A gestão financeira também se torna decisiva em um ambiente de margens cada vez mais pressionadas. “É preciso fazer mais com menos. Cuidar da renovação da frota, da manutenção preventiva, da escolha adequada de clientes, do controle rigoroso de fluxo de caixa e da formação correta de preços”, exemplifica Leo.

Segundo ele, a locação é uma atividade intensiva em capital, e mapear bem o mercado, prospectar corretamente e atender os clientes certos é fundamental para a sustentabilidade do negócio. “A ANALOC Rental Show 2026 é um ambiente estratégico para essa troca de informações e para o fortalecimento de todo o setor”, conclui.

Fonte: Construa Negócios